Aula experimental UFMS

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Informações

Tipo: Literatura
Curso: Obras literárias UFMS 2023
Professor(a): Altemir

Exercícios

Questão 01

 

Texto I

É pois de saber que este fidalgo, nos intervalos que tinha de ócio (que eram os mais do ano), se dava a ler livros de cavalarias, com tanta afeição e gosto, que se esqueceu quase de todo do exercício da caça, e até da administração dos seus bens; e a tanto chegou a sua curiosidade e desatino neste ponto, que vendeu muitos trechos de terra de semeadura para comprar livros de cavalarias que ler, com o que juntou em casa quantos pode apanhar daquele gênero. [...]

 

[...]

 

[...] Encheu-se-lhe a fantasia de tudo o que achava nos livros, assim de encantamentos, como pendências, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas, e disparates impossíveis; e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo.

 

CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Trad. de Visconde de Castilho e Azevedo. São Paulo: Abril Cultural, 1981. p. 29-30.

Texto II

Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais, que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. [...]

 

Havia um ano a esta parte que se dedicava ao tupi-guarani.

Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000159.pdf>.

 

A personagem do Major Quaresma, do romance de Lima Barreto, pode ser vista como uma alusão a Dom Quixote de la Mancha, personagem da narrativa de Miguel de Cervantes, escrita no século XVII. Tendo em vista a trajetória do Major, como se pode explicar essa associação entre as duas personagens?

 

 



Questão 02

 Leia um trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma, em que Olga visita o padrinho Policarpo no sítio Sossego.

 

[…] O que mais a [Olga] impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos roceiros ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele sopapo que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por que ao redor dessas casas não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas? E não havia gado, nem grande nem pequeno. Era raro uma cabra, um carneiro. Por quê? […] Não podia ser preguiça só ou indolência. […]

Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma.

 

I. O trecho ressalta a surpresa de Olga em relação à condição de pobreza dos trabalhadores rurais e ao estado de abandono das terras.

II. Olga atribui à indolência e à falta de energia dos moradores do campo o desolamento da paisagem.

III. Apresenta-se no texto o contraste entre a visão idealizada dos habitantes da cidade e a dura realidade do campo.

 

Está correto o que se afirma:


a) somente em I.

b) somente em II.

c) somente em III.

d) somente em I e II.

e) somente em I e III.