AMOR DE PERDIÇÃO - Análise completa da obra

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Exercícios

Questão 01


(Unicamp-SP) Leia com atenção o trecho abaixo, extraído do último capítulo de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.


 Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços. O comandante olhou para o sítio donde Mariana se atirara, e viu, enleado no cordame, o avental, e à flor da água, um rolo de papéis, que os marujos recolheram na lancha.


A) Que relação há, em Amor de Perdição, entre as personagens Simão e Mariana?


B) No trecho citado, o narrador menciona um “rolo de papéis”. Que papéis são esses?


C) Considerando as respostas dadas aos itens A e B, analise a função desempenhada pela personagem Mariana na estrutura do romance.




Questão 02


 À semelhança de Romeu e Julieta, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque vivem um amor impossível de ser concretizado por causa da rivalidade de seus pais. Por que as famílias Botelho e Albuquerque se tornaram inimigas?



Questão 03


Escreva o nome dos personagens do livro de acordo com as características apresentadas.

A)  “É forte de compleição; belo homem com as feições de sua mãe, e a corpulência dela; mas de todo avesso em gênio.”

B)   “…era um composto de excelências, tinha apenas uma quebra: a absoluta carência de brios.”

C)    “…menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem nascida…tem força de caráter, orgulho fortalecido pelo amor…”

D)  “… rapariga camponesa (…) bem mais bonita que a fidalga!”

E)   “… antes de ser ferrador foi criado de farda em casa do fidalgo de Castro-Daire, que é o senhor Baltasar…”




Questão 04


Mariana é uma figura de destaque na história. Seu comportamento é tipicamente romântico. Apesar de seu enorme amor por Simão, ela coloca a felicidade do amado acima de tudo, só existindo em função dele. Cite duas atitudes dela que comprove essa afirmação.



Questão 05


Logo no primeiro capítulo, ao relatar o casamento de Domingos Botelho e D. Rita Preciosa, pais de Simão e avós paternos de Camilo, o narrador dá mostras de seu estilo humorístico e irônico:

      À distância duma légua de Vila Real estava a nobreza de vila esperando o seu conterrâneo. Cada família tinha a sua liteira com o brasão da casa. A dos Correias de Mesquita era a mais antiquada no feitio, e as librés dos criados as mais surradas e traçadas que figuravam na comitiva. Rita, avistando o préstito das liteiras, ajustou ao olho direito a sua grande luneta de ouro e disse:

-Ó Meneses, aquilo que é?

– São os nossos amigos e parentes que vêm esperar-nos.

– Em que século estamos nós nesta montanha? – tornou a dama do paço.

– Em que século? O século tanto é dezoito aqui como em Lisboa.

– Ah! Sim? Cuidei que o tempo parara aqui no século doze…


Comente a crítica social feita por Camilo no fragmento acima.




Questão 06


Nesse romance, um dos tópicos importantes é o da relação entre pais e filhos: contraste as relações que se dão na família de João da Cruz, por um lado, com as que se dão nas famílias Botelho e Albuquerque, por outro.



Questão 07


No prefácio da quinta edição portuguesa do romance AMOR DE PERDIÇÃO, Camilo Castelo Branco afirmava ironicamente:


“Eu não cessarei de dizer mal desta novela que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indenização, faz rir: tornou-se cômico pela seriedade antiga (…). E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando(*) com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava(**) com lágrimas românticas.

(*) barrufando: variante de borrifando.

(**) aljofarava: orvalhava.


Como você pode notar, o autor faz referência a duas escolas literárias para explicar como AMOR DE PERDIÇÃO produziria no público leitor, por ocasião de sua reimpressão, uma reação completamente diferente daquela produzida ao ser publicado pela primeira vez. Considerando tal afirmação:


a) Cite um episódio do romance que poderia provocar lágrimas nos leitores da primeira edição e ataques de “riso realista” nos leitores da quinta edição.


b) Como se explica uma reação tão diferente por parte dos leitores dessas duas edições?



Questão 08


Leia o texto para responder a questão


       Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.

      Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando; tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.

       Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

                                                              Camilo Castelo Branco – Amor de perdição


De acordo com o texto,


A)  o amor de Simão e Teresa é visto pelo narrador como uma brincadeira de criança.

B)   o amor de Simão e Teresa, caracterizado como “amor à primeira vista”, foi intenso no início, mas não durou muito.

C)   Teresa, aos quinze anos, amava como uma avezinha que ensaia o voo fora do ninho.

D)  o caso de amor entre Simão e Teresa quebrou as expectativas do narrador com relação a namoros de juventude.

E)   o amor de Simão e Teresa é prova de que os poetas e prosadores estão enganados com relação aos relacionamentos juvenis.




Questão 09


Leia o texto para responder a questão


       Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.

      Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando; tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.

       Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

                                                              Camilo Castelo Branco – Amor de perdição


Assinale a alternativa correta.

A)  A analogia presente no segundo parágrafo corresponde a um argumento do narrador para provar a afirmação Enganam-se ambos.

B)   A analogia presente no segundo parágrafo contradiz a afirmação Enganam-se ambos.

C)   A analogia presente no segundo parágrafo retoma e confirma a afirmação feita por poetas e prosadores.

D)  O último período do texto exemplifica a analogia usada pelo narrador no segundo parágrafo.

E)   O último período contesta, ironicamente, a afirmação feita pelo narrador no primeiro parágrafo.




Questão 10


Leia o texto para responder a questão


       Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.

      Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando; tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.

       Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

                                                              Camilo Castelo Branco – Amor de perdição


Assinale a alternativa correta.


a) A divergência do narrador com relação à concepção de amor veiculada pela ficção é prova de que o texto pertence ao Realismo.

b) No contexto, a crítica a poetas e prosadores funciona como estratégia para o narrador obter credibilidade dos leitores.

c) A temática do amor não correspondido, implícita no texto, revela-nos um ponto de vista narrativo comprometido com a fidelidade aos fatos da realidade.

d) O estilo romântico do texto é comprovado pela linguagem rebuscada com que o narrador comenta a fragilidade do amor entre Simão e Teresa.

e) O aproveitamento de temática amorosa nos moldes de Romeu e Julieta, de Shakespeare, atesta o estilo clássico de Camilo Castelo Branco




Questão 11


Sobre Amor de perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco, assinale a alternativa INCORRETA:


A)  Amor de perdição é uma novela ultrarromântica, marcada pelo sentimento passional e pelo idealismo amoroso, confirmando, assim, duas das principais características do período, que foram o subjetivismo e a luta individual do herói.

B)   Narrada em terceira pessoa, a novela segue as convenções tradicionais da narrativa de ficção, como a sequência temporal dos acontecimentos e a linearidade do enredo, apresentando também referências históricas e biográficas.

C)   O ultrarromantismo da novela é quebrado por tendências realistas observadas no posicionamento da personagem Mariana e na forma pouco subjetiva como a realidade é tratada numa ficção documental.

D)  Mariana é a principal agente de comunicação entre Simão e Teresa, figurando como personagem auxiliar que promove a união amorosa entre os dois adolescentes apaixonados, embora não possa dela participar.

E)   A personagem Mariana, encarnando o amor romântico, com pureza e resignação, e a personagem Teresa, representando a mulher inacessível e idealizada, encontram na morte a plenitude do amor idealizado, nesta novela da segunda fase romântica da literatura portuguesa.




Questão 12


(UEL) Sobre Amor de perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco, assinale a alternativa INCORRETA:


A)   Amor de perdição é uma novela ultrarromântica, marcada pelo sentimento passional e pelo idealismo amoroso, confirmando, assim, duas das principais características do período, que foram o subjetivismo e a luta individual do herói.

B)   Narrada em terceira pessoa, a novela segue as convenções tradicionais da narrativa de ficção, como a sequência temporal dos acontecimentos e a linearidade do enredo, apresentando também referências históricas e biográficas.

C)   O ultrarromantismo da novela é quebrado por tendências realistas observadas no posicionamento da personagem Mariana e na forma pouco subjetiva como a realidade é tratada numa ficção documental.

D)  Mariana é a principal agente de comunicação entre Simão e Teresa, figurando como personagem auxiliar que promove a união amorosa entre os dois adolescentes apaixonados, embora não possa dela participar.

E)   A personagem Mariana, encarnando o amor romântico, com pureza e resignação, e a personagem Teresa, representando a mulher inacessível e idealizada, encontram na morte a plenitude do amor idealizado, nesta novela da segunda fase romântica da literatura portuguesa.




Questão 13


(UFPI) Assinale a alternativa que não se relaciona com as personagens de Amor de Perdição:


A)  personagens ricas e pobres convivem lado alado.

B)   As ações das personagens são marcadas pela contenção de sentimento e emoções.

C)   Simão é caracterizado através de atributos antagônicos.

D)  Teresa representa a mulher burguesa subjugada pela prepotência dos pais.

E)   Mariana é a imagem da mulher do povo: franca, rude e generosa.




Questão 14

(Mackenzie-SP) É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco:


A)  a influência rica, em sua poesia, de símbolos, imagens alegóricas e construções.

B)   a oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários piedosos, indignados ou sarcásticos.

C)   a busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do assado e das formas românticas.

D)  o fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada.

E)   o apego ao conto como principal realização literária, através do qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa.



Questão 15


Marque a alternativa incorreta a respeito de Camilo Castelo Branco:


A)  Escritor polígrafo, exímio novelista; compôs sua obra refletindo, de certa maneira, os revezes de sua vida tumultuada.

B)   Escreveu novelas satíricas e passionais; as primeiras já com caráter naturalista pelas fortes caricaturas das personagens e enredos críticos, enquanto que nas outras, o sentimentalismo exacerbado e a idealização constante privilegiam mais a ação do enredo ultrarromântico do que propriamente a coerência dos fatos.

C)   Por apresentar comportamento irreverente e criativo, assegurou lugar de destaque como escritor de fôlego, pois inaugurou o romance histórico português, misturando o resgate histórico com a trama amorosa.

D)  O vocabulário de suas obras é amplo, destacando desde expressões eruditas até ditados populares; nota-se ainda a constante inserção de cartas trocadas entre as personagens, na tentativa de colocar veracidade ao enredo.

E)   Em A Queda de um anjo (1866), novela satírica, narra a trajetória de Calisto Elói; demonstrando, particularmente, as transformações pelas quais passa a personagem – de ingênuo tradicional para esperto libertino –, e, no geral, as transformações nos usos e costumes portugueses.

 



Questão 16


(Vunesp) Em Amor de perdição (1862), de Camilo C. Branco:


A)  Simão ficou indeciso entre o amor de Mariana da Cruz e o de Teresa de Albuquerque.

B)   Simão rejeitou a oportunidade oferecida pelo seu pai, Domingos Botelho, para livrar-se do desterro.

C)   dentro do maniqueísmo anjo e diabo, Teresa representa a mulher diabólica, porque leva o amado Simão à perdição; já Mariana comporta-se como a mulher angelical, prestativa e companheira.

D)  o autor revela grande respeito pelas instituições religiosas de seu tempo, demonstrando as virtudes individuais das religiosas e o convívio harmonioso nas casas de reclusão.

E)   João da Cruz, pai de Mariana, é um homem sofisticado e leal, que usa frequentemente expressões e ditados populares, demonstrando o domínio do autor nos diversos níveis de linguagem: medicina, direito, náutica…