CLARA DOS ANJOS - Análise completa da obra

Veja a análise completa da obra e faça os exercícios de aprofundamento

Exercícios

Questão 01


Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos fortes que a modelassem e fixassem. Seus pais não seriam capazes disso. A mãe não tinha caráter, no bom sentido, para o fazer; limitava-se a vigiá-la caninamente; e o pai, devido aos seus afazeres, passava a maioria do tempo longe dela. E ela vivia toda entregue a um sonho lânguido de modinhas e descantes, entoadas por sestrosos cantores, como o tal Cassi e outros exploradores da morbidez do violão. O mundo se lhe representava como povoado de suas dúvidas, de queixumes de viola, a suspirar amor.

 Clara, na ingenuidade de sua idade e com as pretensões que a sua falta de contacto com o mundo e capacidade mental de observar e comparar justificavam, concluía que Cassi era um rapaz digno e podia bem amá-la sinceramente.

                                                     Clara dos Anjos – Lima Barreto


A)  Como o narrador caracteriza a personagem Clara dos Anjos?


B)   Quais são os elementos usados pelo narrador para fazer tal caracterização?


C)   As características de Clara tem influência no desfecho da narrativa?




Questão 06


Abaixo, uma das cenas do último capítulo de Clara dos Anjos é sintetizada, na qual, inclusive, a protagonista sofre um vexame, além de presenciar algo doloroso. Preencha suas lacunas, identificando, respectivamente, quais os personagens que nela figuram, a partir das informações a eles relacionadas.

 

Junto com Dona __________ , __________ vai à casa da família de __________ cobrar uma reparação, mas é humilhada por Dona __________, que a ofende e ressalta sua condição de negra. Além disso, ela vê a dor e o mal-estar do __________ de Cassi quando reconhece os crimes do filho.




Questão 02


Assinale as afirmações corretas sobre a obra “Clara dos Anjos” e seu autor, Lima Barreto. Depois, some os valores para apresentar o resultado correto.


1 – Testemunha ocular e intérprete das transformações histórico-sociais que marcaram sua época, Lima Barreto produziu uma obra que traz para a cena literária a dura realidade de pessoas humildes, geralmente mestiças, moradoras dos subúrbios do Rio de Janeiro.


2 – Clara dos Anjos apresenta características remanescentes do realismo naturalista, como a observação crítica de uma realidade social, denunciando injustiças e apontando suas causas.

4 – O narrador do livro é externo onisciente que se posiciona criticamente ao analisar o comportamento e características das personagens.

8 – Clara dos Anjos é vítima da ingenuidade da mãe, que não percebe as intenções de Cassi Jones e permite que a filha se comunique com ele, contrariando os conselhos de Marramaque e Joaquim dos Anjos.

16 – Cassi Jones era um sedutor inescrupuloso de donzelas ingênuas que se livrava de arcar com as consequências de suas ações graças à proteção de sua mãe..




Questão 03


  Associe as personagens da primeira coluna com seus respectivos papéis e características na segunda coluna.


1.- Dona Margarida

2.- Meneses

3.- Marramaque

4.- Leonardo Flores



A.- Poeta talentoso que se perdeu para a bebida e sofre com surtos de loucura. Espécie de álter ego do autor.

B.- Padrinho de Clara que acaba sendo morto por atrapalhar as investidas de sedução e denunciar o comportamento devasso de Cassi Jones

C.- Vizinha de Clara, mulher experiente e determinada

D.- Homem pobre, vítima do alcoolismo. Incapaz de seguir seus próprios conceitos éticos morais tem suas ações determinadas pela realidade social.


Assinale a relação correta:


A)  1A – 2C – 3B – 4D

B)   1C – 2D – 3B – 4A

C)   1D – 2C – 3A – 4B

D)  1C – 2B – 3D – 4A




Questão 04


No romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, o narrador tece considerações generalizantes a respeito da sociedade de sua época, ao mesmo tempo em que narra a vida da protagonista, de sua família e a malandragem de Cassi Jones. A respeito de aspectos da construção de Clara ou de fatos de que ela participa, assinale a alternativa correta.

A) 

A afirmação “é próprio do nosso pequeno povo fazer uma extravagante amálgama de religiões e crenças de toda a sorte, e socorrer-se desta ou daquela, conforme os transes e momentâneas agruras de sua existência” (capítulo I) explica a frequência de Clara a igrejas e templos de diferentes religiões.

B) 

A frase “A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres” (capítulo VII) alude às provocações que Clara desferia contra suas vizinhas.

C) 

A ponderação “Cada um de nós, por mais humilde que seja, tem que meditar, durante a sua vida, sobre o angustioso mistério da Morte, para poder responder cabalmente, se o tivermos que o fazer, sobre o emprego que demos a nossa existência” (capítulo VIII) refere-se à cena da morte de Clara.

D) 

O comentário “O seu ideal na vida não era adquirir uma personalidade, não era ser ela, mesmo ao lado do pai ou do futuro marido. Era constituir função do pai, enquanto solteira, e do marido, quando casada. Não imaginava as catástrofes imprevistas da vida” (capítulo VIII) prenuncia as dificuldades que Clara enfrentou no seu casamento com Cassi.

E) 

A análise “A educação que recebera, de mimos e vigilâncias, era errônea. Ela devia ter aprendido da boca dos seus pais que a sua honestidade de moça e de mulher tinha todos por inimigos, mas isto ao vivo, com exemplos, claramente...” (capítulo X) denuncia a frágil educação recebida por Clara como responsável pelo seu destino.



Questão 05


(FUVEST)

A obra de Lima Barreto:

A - Reflete a sociedade rural do século XIX, podendo ser considerada precursora do romance regionalista moderno.

B - Tem cunho social, embora esteja presa aos cânones estéticos e ideológicos românticos, e influenciou fortemente os romancistas da primeira geração modernista.

C - É considerada pré-modernista, uma vez que reflete a vida urbana paulista antes da década de 1920.

D - Gira em torno da influência do imigrante estrangeiro na formação da nacionalidade brasileira, refletindo uma grande consciência crítica dessa problemática.

E - É pré-modernista, refletindo forte sentimento nacional e grande consciência crítica de problemas brasileiros.




Questão 07

(UFCG-PB) Com relação à importância do espaço, em Clara dos Anjos, considere como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações abaixo.


(  ) As descrições tornam-se cansativas e sem função estética no contexto da obra.

(   ) As descrições de partes do subúrbio tornam-se instrumento de denúncia das condições de vida dos mais pobres.

(   ) Embora a descrição seja de espaços urbanos do início do século XX, ela permanece atual, tendo em vista a permanência de muitas das situações de exclusão apresentadas.

(  ) O narrador, ao chamar a atenção para alguns espaços, esquece de aproximá-los da realidade dos personagens.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:


A)  F, V, V, V.

B)  F, V, V, F.

C)   V, F, V, F.

D)  V, F, F, V.

E)   V, F, V, V.




Questão 08


Considere o trecho abaixo, retirado de Clara dos Anjos e analise as proposições na sequência:

 

Chegou à repartição, assinou o ponto, cumprimentou os colegas e chefes; e, à hora certa, tomou a correspondência a distribuir e lá correu para escritórios, casas de comércio, entregando cartas e pacotes.

Vinha tudo isto com nomes arrevesados: franceses, ingleses, alemães, italianos, etc.; mas, como eram sempre os mesmos, acabara decorando-os e pronunciando-os mais ou menos corretamente. Gostava de lidar com aqueles homens louros, rubicundos, robustos, de olhos cor do mar, entre os quais ele não distinguia os chefes e os subalternos. Quando havia brasileiros, no meio deles, logo adivinhava que não eram chefes. Almoçava frugalmente e até às cinco executava o serviço, isto é, as várias distribuições de correspondência.

 

I. O trecho apresenta a relação entre desigualdade social e etnia, no Brasil, quando contrapõe a diferença entre chefes estrangeiros e subalternos brasileiros.

II. A descrição da exploração de que Joaquim é vítima em seu trabalho é um dos aspectos da exploração racial abordada no romance.

III. Em outros momentos do romance, podemos propor uma contraposição entre D. Margarida, que se adaptara ao Brasil “sem perder nada da tenacidade, do esprit de suite, da decidida coragem da sua origem”, e a passividade de Joaquim e sua família: nessa comparação, entreveem-se influências das teorias deterministas na formação do caráter de uma pessoa, que se molda pelo ambiente em que viveu.

 

Agora, assinale a opção que contém apenas afirmações corretas:


A)  I, II e III.

B)  II e III.

C)   III.

D)  I e II.

E)   I e III.




Questão 09


Considere o trecho abaixo, retirado de Clara dos Anjos.

 

Chegou à repartição, assinou o ponto, cumprimentou os colegas e chefes; e, à hora certa, tomou a correspondência a distribuir e lá correu para escritórios, casas de comércio, entregando cartas e pacotes.

Vinha tudo isto com nomes arrevesados: franceses, ingleses, alemães, italianos, etc.; mas, como eram sempre os mesmos, acabara decorando-os e pronunciando-os mais ou menos corretamente. Gostava de lidar com aqueles homens louros, rubicundos, robustos, de olhos cor do mar, entre os quais ele não distinguia os chefes e os subalternos. Quando havia brasileiros, no meio deles, logo adivinhava que não eram chefes. Almoçava frugalmente e até às cinco executava o serviço, isto é, as várias distribuições de correspondência.

 

Com base na caracterização do personagem Joaquim dos Anjos, assinale a alternativa correta:


A)  Joaquim dos Anjos era um homem correto e acreditava que todos o fossem, motivo pelo qual não crê firmemente, num primeiro momento, na má índole e ousadia de Cassi.

B)  Apesar de sua instrução rudimentar, Joaquim é muito inteligente e perspicaz ao analisar o discernimento de Clara em relação à vida.

C)   O retrato positivo de Joaquim dos Anjos contrasta com o retrato negativo de seus chefes estrangeiros, “homens louros, rubicundos” (cap. VIII).

D)  O estilo de crônica que Lima Barreto adota neste livro privilegia o descritivismo pormenorizado dos locais em detrimento da descrição psicológica dos personagens — como é o caso de Joaquim dos Anjos, cuja índole não nos é revelada.

E)   Joaquim dos Anjos era um homem muito severo e desconfiado, motivo pelo qual nutre um ciúme doentio da mulher e da filha.





Questão 10


(UFCG-PB / Adaptada) Com relação às personagens femininas do romance Clara dos Anjos, é INCORRETO afirmar que:


A)  Dona Margarida é a única personagem feminina forte, atuante em todas as situações: um contraponto às demais personagens femininas do livro.

B)  Clara, ao retornar humilhada da casa de Cassi, começa a tomar consciência de sua situação de classe e de raça.

C)   Clara é descrita pelo narrador como uma jovem sonhadora e ingênua, que precisava de mãos fortes que a modelassem e fixassem.

D)  Engrácia, mãe de Clara, era uma mulher frágil, passiva, incapaz de tomar iniciativa em qualquer emergência.

E)   diferentemente da mãe, Clara é uma jovem perspicaz, atenta, sobretudo, aos ardis dos jovens que dela se aproximam.




Questão 11


Leia o trecho abaixo e, sobre ele, assinale a alternativa correta:

 

Enfim, a pequena Nair, inexperiente, em plena crise de confusos sentimentos, sem ninguém que lhe pudesse orientar, acreditou nas lábias de Cassi e deu o passo errado. A mãe veio a descobrir-lhe a falta, que se denunciava pelo estado do seu ventre. Correu ao Senhor Manuel, que não estava.

Falou a Dona Salustiana e esta, empertigando-se toda, disse secamente:

— Minha senhora, eu não posso fazer nada. Meu filho é maior.

— Mas, se a senhora o aconselhasse como mãe que é, e de filhas, talvez obtivesse alguma coisa. Tenha piedade de mim e da minha, minha senhora.

E pôs-se a chorar e a soluçar.

Dona Salustiana respondeu amuada, sem demonstrar o mínimo enternecimento por aquela dor inqualificável:

— Não posso fazer nada, no caso, minha senhora. Já lhe disse. A senhora recorra à justiça, à polícia, se quiser. É o único remédio.

A mãe de Nair acalmou-se um pouco e observou:

— Era o que eu queria evitar. Será uma vergonha para mim e para a senhora e família.

— Nós nada temos com o que Cassi faz. Se fosse nossa filha…

Não acabou a indireta injuriosa; levantou-se e estendeu a mão à desolada mãe, como que a despedindo.

A viúva saiu cabisbaixa; e, dali, foi à audiência do delegado distrital e expôs tudo. O delegado disse-lhe:

— Apesar de estar ainda não há seis meses neste distrito, sei bem quem é esse patife de Cassi. O meu maior desejo era embrulhá-lo num bom e sólido processo; mas não posso, no seu caso. A senhora não é miserável, possui as suas pensões de montepio e meio soldo; e eu só posso tomar a iniciativa do processo quando a vítima é filha de pais miseráveis, sem recursos.

— Mas, não há remédio, doutor?

— Só a senhora constituindo advogado.

— Ah! Meu Deus! Onde vou buscar dinheiro para isso? Minha filha, desgraçada, meu Deus!

(Lima Barreto, Clara dos Anjos, cap. II.)


A)   Nair é uma exceção ao perfil das vítimas de Cassi Jones: moças órfãs, negras ou mulatas, e pobres, sem orientação.

B)   O sentimento de superioridade e a insensibilidade de Cassi para com os outros provém do exemplo materno.

C)   O delegado, encarna a insensibilidade da polícia para com os pobres, pois não demonstra “o mínimo enternecimento por aquela dor inqualificável”.

D)   A justiça era bastante rigorosa na perseguição de sedutores como Cassi Jones, o que se pode observar pela fala do delegado.

E)   D. Salustiana, ao recomendar à mãe de Nair que vá à polícia, demonstra não acobertar os atos vis e criminosos do filho.




Questão 12


Leia o trecho abaixo e, sobre ele, assinale a alternativa correta:

 

Enfim, a pequena Nair, inexperiente, em plena crise de confusos sentimentos, sem ninguém que lhe pudesse orientar, acreditou nas lábias de Cassi e deu o passo errado. A mãe veio a descobrir-lhe a falta, que se denunciava pelo estado do seu ventre. Correu ao Senhor Manuel, que não estava.

Falou a Dona Salustiana e esta, empertigando-se toda, disse secamente:

— Minha senhora, eu não posso fazer nada. Meu filho é maior.

— Mas, se a senhora o aconselhasse como mãe que é, e de filhas, talvez obtivesse alguma coisa. Tenha piedade de mim e da minha, minha senhora.

E pôs-se a chorar e a soluçar.

Dona Salustiana respondeu amuada, sem demonstrar o mínimo enternecimento por aquela dor inqualificável:

— Não posso fazer nada, no caso, minha senhora. Já lhe disse. A senhora recorra à justiça, à polícia, se quiser. É o único remédio.

A mãe de Nair acalmou-se um pouco e observou:

— Era o que eu queria evitar. Será uma vergonha para mim e para a senhora e família.

— Nós nada temos com o que Cassi faz. Se fosse nossa filha…

Não acabou a indireta injuriosa; levantou-se e estendeu a mão à desolada mãe, como que a despedindo.

A viúva saiu cabisbaixa; e, dali, foi à audiência do delegado distrital e expôs tudo. O delegado disse-lhe:

— Apesar de estar ainda não há seis meses neste distrito, sei bem quem é esse patife de Cassi. O meu maior desejo era embrulhá-lo num bom e sólido processo; mas não posso, no seu caso. A senhora não é miserável, possui as suas pensões de montepio e meio soldo; e eu só posso tomar a iniciativa do processo quando a vítima é filha de pais miseráveis, sem recursos.

— Mas, não há remédio, doutor?

— Só a senhora constituindo advogado.

— Ah! Meu Deus! Onde vou buscar dinheiro para isso? Minha filha, desgraçada, meu Deus!

(Lima Barreto, Clara dos Anjos, cap. II.)


Em relação ao trecho anterior, a sua linguagem, assinale a alternativa incorreta:


A)    O autor é prolixo nas descrições do espaço (casa de Salustiana e delegacia) e do estado de ânimo das personagens (Nair e sua mãe).

B)    O autor apresenta um estilo direto, frequente em sua obra, influenciada pela escrita jornalística.

C)     As expressões “passo errado” e “falta” são eufemismos para se referir às relações sexuais pré-matrimoniais entre Nair e Cassi.

D)    O estilo coloquial do autor se evidencia na pouca diferença entre o registro de linguagem do narrador e o das falas das personagens.

E)     A “indireta injuriosa” consiste em Salustiana sugerir, em sua fala, que suas filhas não incorreriam na mesma falha moral de Nair — portanto, a culpa era desta e de sua mãe, que não a educara.