O VENDEDOR DE PASSADOS - Análise completa da obra

Veja a análise completa da obra e faça os exercícios de aprofundamento

Exercícios

Questão 01


Sobre o romance “O Vendedor de Passados”, de José Eduardo Agualusa, responda:


A)  Como, no romance, é acionada a memória histórica de Angola na figura da personagem José Buchmann? 

B)   De que maneira a história de José Buchmann nos é revelada, no decorrer da narrativa?





Questão 02


Qual é o foco narrativo do romance “O vendedor de Passados”? Qual a peculiaridade desse foco narrativo?




Questão 03


Sobre o romance "O vendedor de passados", de José Eduardo Agualusa, é INCORRETO afirmar que:

a) intercala cenas de sonho e realidade.

b) faz referência a elementos culturais do Brasil.

c) assume, em determinado ponto, a configuração de outro gênero textual.

d) apresenta os fatos sob uma mesma e única perspectiva.




Questão 04


Em "O vendedor de passados", entremeada à narração dos fatos, faz-se também uma reflexão sobre a literatura e a linguagem.


Todas as passagens são exemplos dessa reflexão, EXCETO:


a) "- Ainda tremo de cada vez que ouço alguém dizer edredom, um galicismo hediondo, em vez de frouxel, que a mim me parece, e estou certo que você concordará, palavra muito bela e muito nobre. Mas já me conformei com sutiã. Estrofião tem uma outra dignidade histórica."


b) "Um nome pode parecer uma condenação. Alguns arrastam o nomeado, como as águas lamacentas de um rio após as grandes chuvadas, e, por mais que este resista, impõem-lhe um destino. Outros, pelo contrário, escondem, iludem. A maioria, evidentemente, não tem poder algum."


c) "Existem pessoas que revelam, desde muito cedo, um enorme talento para a desventura. A infelicidade atinge-os como uma pedrada, dia sim, dia não, e eles recebem-na com um suspiro conformado. Outras há, pelo contrário, com uma estranha propensão para a felicidade."


d) "A realidade fere, mesmo quando, por instantes, nos parece um sonho. Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe."




Questão 05



Sobre os personagens de "O vendedor de passados", é CORRETO afirmar:


a) José Buchman é a identidade criada por Félix Boaventura para o estrangeiro que a ele recorre na tentativa de obter um outro passado e que vai, ao longo da trama, encarná-la cada vez com maior realismo.

b) Félix Boaventura figura, na trama ficcional do romance, como filho do célebre escritor português Eça de Queirós, autor de "A relíquia", e é isso que justifica seu talento nato para a criação de genealogias falsas.

c) A personagem de Eulálio constrói-se como um duplo especular de Félix Boaventura, porém com traços invertidos, atuando como seu antagonista na trama.

d) Ângela Lúcia, além de ser a amante de Eulálio, é quem comete o assassinato de José Buchman, após descobrir que ele era seu verdadeiro pai.




Questão 06


"... o que me interessa é um pouco exercitar o absurdo", afirma José Eduardo Agualusa sobre sua produção literária.


Em "O vendedor de passados", esse "exercício do absurdo" só NÃO propicia:


a) uma denúncia quanto à história e ao cenário político de Angola.

b) uma crítica às concepções religiosas que negam a possibilidade de reencarnação.

c) uma discussão acerca dos limites entre o real e o imaginário.

d) uma problematização da narrativa histórica enquanto detentora da verdade dos fatos.




Questão 07



Através dos sonhos de Eulálio, NÂO se pode afirmar que o narrador


A) revela ao leitor sua antiga forma humana.

B) promove diálogos com Félix Ventura.

C) promove questionamentos do que é realidade.

D) esclarece o leitor sobre questões relativas à religiosidade angolana.





Questão 08


Leia o fragmento do primeiro capítulo de O vendedor de passados, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, para responder a questão.


Nasci nesta casa e criei-me nela. Nunca saí. Ao entardecer encosto o corpo contra o cristal das janelas e contemplo o céu. Gosto de ver as labaredas altas, as nuvens a galope, e sobre elas os anjos, legiões deles, sacudindo as fagulhas dos cabelos, agitando as largas asas em chamas. É um espetáculo sempre idêntico. Todas as tardes, porém, venho até aqui e divirto-me e comovo-me como se o visse pela primeira vez. A semana passada Félix Ventura chegou mais cedo e surpreendeu-me a rir enquanto lá fora, no azul revolto, uma nuvem enorme corria em círculos, como um cão, tentando apagar o fogo que lhe abrasava a cauda. — Ai, não posso crer! Tu ris?! Irritou-me o assombro da criatura. Senti medo mas não movi um músculo. [Félix Ventura] tirou os óculos escuros, guardou-os no bolso interior do casaco, despiu o casaco, lentamente, melancolicamente, e pendurou-o com cuidado nas costas de uma cadeira. Escolheu um disco de vinil e colocou-o no prato do velho gira-discos. “Acalanto para um Rio”, de Dora, a Cigarra, cantora brasileira que, suponho, conheceu alguma notoriedade nos anos setenta. Suponho isto a julgar pela capa do disco. É o desenho de uma mulher em biquíni, negra, bonita, com umas largas asas de borboleta presas às costas. “Dora, a Cigarra – Acalanto para um Rio – O Grande Sucesso do Momento”. A voz dela arde no ar. Nas últimas semanas tem sido esta a banda sonora do crepúsculo. Sei a letra de cor. (...)

Fonte: AGUALUSA, José Eduardo. O vendedor de passados. Rio de Janeiro: Gryphus, 2004, p. 03. [adaptado]

Sobre o fragmento de O vendedor de passados é CORRETO afirmar que o narrador



A)   sobressalta-se com o despir de Félix Ventura.

B)   observa com amor as ações de Félix Ventura.

C)   percebe uma alteração da rotina na chegada de Félix Ventura.

D)   conjectura que a escolha do disco de vinil foi pela tristeza de Félix Ventura.