Análise da obra A CABRA VADIA

Veja a análise completa da obra e faça os exercícios de aprofundamento

Exercícios

Questão 01


  Leia o fragmento abaixo, retirado da crônica “O Belo Rosto”, do livro “A Cabra Vadia”, de Nelson Rodrigues:


  “A entrevista de Mário Filho foi um duro impacto, sobretudo pela linguagem. Ela saiu por volta de 1927. Em meia página, ele profanou o bom gosto vigente até em jornal de modinhas. Dir-se-ia um novo idioma atirado a cara do leitor. O público teria todo o direito de perguntar: - “Mas que língua é essa?” Mesmo os melhores jornalistas da época escreviam de fraque. No teatro, Leopoldo Fróes falava com sotaque lisboeta. A simplicidade era uma vergonha. Qualquer jornal era um discurso.”


  Considerando a época em que essa entrevista saiu, explique o sentido das expressões “escreviam de fraque” e “sotaque lisboeta”


  


Questão 02


  Leia o fragmento abaixo, retirado da crônica “O Belo Rosto”, do livro “A Cabra Vadia”, de Nelson Rodrigues:


  “A entrevista de Mário Filho foi um duro impacto, sobretudo pela linguagem. Ela saiu por volta de 1927. Em meia página, ele profanou o bom gosto vigente até em jornal de modinhas. Dir-se-ia um novo idioma atirado a cara do leitor. O público teria todo o direito de perguntar: - “Mas que língua é essa?” Mesmo os melhores jornalistas da época escreviam de fraque. No teatro, Leopoldo Fróes falava com sotaque lisboeta. A simplicidade era uma vergonha. Qualquer jornal era um discurso.”


  Ao afirmar que Mário Filho em sua entrevista “profanou o bom gosto vigente”, o autor o coloca em sintonia com um movimento literário iniciado em 1922.


A)  Qual era esse movimento literário?



B)   Qual a sintonia entre a linguagem usada por Mário Filho e esse movimento literário? Explique.

 





Questão 03


  Leia o fragmento abaixo, retirado da crônica “A Selva Teatral”, do livro “A Cabra Vadia”, de Nelson Rodrigues:


  “Mas o fato é que, por minha vontade, faria um texto dramático por dia. (...) E comecei a escrever. Mas comparando, eu era um acrobata que, depois de uma pirueta, tenta o salto mortal. A Mulher Sem Pecado era a pirueta e Vestido de Noiva, o salto mortal.”


  O comentário acima caracteriza um exemplo de:

A)  Intertextualidade

B)   Perífrase

C)   Metalinguagem

D)  Eufemismo



Questão 04

Certo milionário brasileiro foi traído pela esposa. Quis gritar, mas a infiel disse-lhe sem medo: — “Eu não amo você, nem você a mim. Não temos nenhum amor a trair”. O marido baixou a cabeça. Doeu-lhe, porém, o escândalo. Resolveu viajar para a China, certo de que a distância é o esquecimento. Primeiro, andou em Hong Kong. Um dia, apanhou o automóvel e correu como um louco. Foi parar quase na fronteira com a China. Desce e percorre, a pé, uma aldeia miserável. Viu, por toda a parte, as faces escavadas da fome. Até que entra na primeira porta. Tinha sede e queria beber. Olhou aquela miséria abjeta. E, súbito, vê surgir, como num milagre, uma menina linda, linda. Aquela beleza absurda, no meio de sordidez tamanha, parecia um delírio. O amor começou ali. Um amor que não tinha fim, nem princípio, que começara muito antes e continuaria muito depois. Não houve uma palavra entre os dois, nunca. Um não conhecia a língua do outro. Mas, pouco a pouco, o brasileiro foi percebendo esta verdade: – são as palavras que separam. Durou um ano o amor sem palavras. Os dois formavam um maravilhoso ser único. Até que, de repente, o brasileiro teve que voltar para o Brasil. Foi também um adeus sem palavras. Quando embarcou, ele a viu num junco que queria seguir o navio eternamente. Ele ficou muito tempo olhando. Depois não viu mais o junco. A menina não voltou. Morreu só, tão só. Passou de um silêncio a outro silêncio mais profundo.

RODRIGUES, Nelson. A cabra vadia: novas confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


(Uerj) Há uma contradição aparente entre as passagens “um amor que não tinha fim” e “durou um ano o amor sem palavras”.

Essa aparente contradição se desfaz se procurarmos interpretar o texto relacionando-o aos seguintes versos da poesia brasileira:


A)  “quando o amor tem mais perigo é quando ele é sincero” (Cacaso)

B)   “Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure” (Vinicius de Moraes)

C)  “e se te fujo é que te adoro louco és bela – eu moço; tens amor – eu medo!...” (Casimiro de Abreu)

D)  “não é pois todo amor alvo divino, e mais aguda seta que o destino?” (Carlos Drummond de Andrade)




Questão 05

Certo milionário brasileiro foi traído pela esposa. Quis gritar, mas a infiel disse-lhe sem medo: — “Eu não amo você, nem você a mim. Não temos nenhum amor a trair”. O marido baixou a cabeça. Doeu-lhe, porém, o escândalo. Resolveu viajar para a China, certo de que a distância é o esquecimento. Primeiro, andou em Hong Kong. Um dia, apanhou o automóvel e correu como um louco. Foi parar quase na fronteira com a China. Desce e percorre, a pé, uma aldeia miserável. Viu, por toda a parte, as faces escavadas da fome. Até que entra na primeira porta. Tinha sede e queria beber. Olhou aquela miséria abjeta. E, súbito, vê surgir, como num milagre, uma menina linda, linda. Aquela beleza absurda, no meio de sordidez tamanha, parecia um delírio. O amor começou ali. Um amor que não tinha fim, nem princípio, que começara muito antes e continuaria muito depois. Não houve uma palavra entre os dois, nunca. Um não conhecia a língua do outro. Mas, pouco a pouco, o brasileiro foi percebendo esta verdade: – são as palavras que separam. Durou um ano o amor sem palavras. Os dois formavam um maravilhoso ser único. Até que, de repente, o brasileiro teve que voltar para o Brasil. Foi também um adeus sem palavras. Quando embarcou, ele a viu num junco que queria seguir o navio eternamente. Ele ficou muito tempo olhando. Depois não viu mais o junco. A menina não voltou. Morreu só, tão só. Passou de um silêncio a outro silêncio mais profundo.

RODRIGUES, Nelson. A cabra vadia: novas confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


(Uerj) A esposa do milionário convenceu o marido.

Para apresentar o seu argumento de uma forma completa, ela poderia utilizar a seguinte construção:


A)  "Toda traição envolve outro amor; ora, eu amo outro; logo, eu não amo você”.

B)   “Só se trai a quem se ama; ora, eu não te amava nem você me amava; logo, eu não te traí”.

C)  “Na dúvida entre o amor e a traição eu escolhi, como mulher, o amor; logo, você não se deve sentir traído”.

D)   “Como você não me amava nem eu a você, ninguém tem culpa dessa traição; logo, cada um deve seguir a sua vida”.



Questão 06

Certo milionário brasileiro foi traído pela esposa. Quis gritar, mas a infiel disse-lhe sem medo: — “Eu não amo você, nem você a mim. Não temos nenhum amor a trair”. O marido baixou a cabeça. Doeu-lhe, porém, o escândalo. Resolveu viajar para a China, certo de que a distância é o esquecimento. Primeiro, andou em Hong Kong. Um dia, apanhou o automóvel e correu como um louco. Foi parar quase na fronteira com a China. Desce e percorre, a pé, uma aldeia miserável. Viu, por toda a parte, as faces escavadas da fome. Até que entra na primeira porta. Tinha sede e queria beber. Olhou aquela miséria abjeta. E, súbito, vê surgir, como num milagre, uma menina linda, linda. Aquela beleza absurda, no meio de sordidez tamanha, parecia um delírio. O amor começou ali. Um amor que não tinha fim, nem princípio, que começara muito antes e continuaria muito depois. Não houve uma palavra entre os dois, nunca. Um não conhecia a língua do outro. Mas, pouco a pouco, o brasileiro foi percebendo esta verdade: – são as palavras que separam. Durou um ano o amor sem palavras. Os dois formavam um maravilhoso ser único. Até que, de repente, o brasileiro teve que voltar para o Brasil. Foi também um adeus sem palavras. Quando embarcou, ele a viu num junco que queria seguir o navio eternamente. Ele ficou muito tempo olhando. Depois não viu mais o junco. A menina não voltou. Morreu só, tão só. Passou de um silêncio a outro silêncio mais profundo.

RODRIGUES, Nelson. A cabra vadia: novas confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


(Uerj) O pequeno conto de Nelson Rodrigues narra o improvável encontro entre um milionário brasileiro e uma menina miserável do interior da China.

O caráter improvável desse encontro pode ser lido como uma metonímia que tem função central na constituição do sentido do texto.

Essa função é a de:


A)  Revelar as obsessões do autor.

B)   Marcar as repetições da narrativa.

C)  Negar um amor para afirmar outro.

D)  Ressaltar a dificuldade dos encontros amorosos.




Questão 07

Certo milionário brasileiro foi traído pela esposa. Quis gritar, mas a infiel disse-lhe sem medo: — “Eu não amo você, nem você a mim. Não temos nenhum amor a trair”. O marido baixou a cabeça. Doeu-lhe, porém, o escândalo. Resolveu viajar para a China, certo de que a distância é o esquecimento. Primeiro, andou em Hong Kong. Um dia, apanhou o automóvel e correu como um louco. Foi parar quase na fronteira com a China. Desce e percorre, a pé, uma aldeia miserável. Viu, por toda a parte, as faces escavadas da fome. Até que entra na primeira porta. Tinha sede e queria beber. Olhou aquela miséria abjeta. E, súbito, vê surgir, como num milagre, uma menina linda, linda. Aquela beleza absurda, no meio de sordidez tamanha, parecia um delírio. O amor começou ali. Um amor que não tinha fim, nem princípio, que começara muito antes e continuaria muito depois. Não houve uma palavra entre os dois, nunca. Um não conhecia a língua do outro. Mas, pouco a pouco, o brasileiro foi percebendo esta verdade: – são as palavras que separam. Durou um ano o amor sem palavras. Os dois formavam um maravilhoso ser único. Até que, de repente, o brasileiro teve que voltar para o Brasil. Foi também um adeus sem palavras. Quando embarcou, ele a viu num junco que queria seguir o navio eternamente. Ele ficou muito tempo olhando. Depois não viu mais o junco. A menina não voltou. Morreu só, tão só. Passou de um silêncio a outro silêncio mais profundo.

RODRIGUES, Nelson. A cabra vadia: novas confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


(Uerj) O narrador de um conto assume determinados pontos de vista para conduzir o seu leitor a observar o mundo sob perspectivas diversificadas.

No conto de Nelson Rodrigues, a narrativa busca emocionar o leitor por meio do seguinte recurso:

A)  Expressa diretamente o ponto de vista do personagem milionário.

B)   Expressa de maneira indireta o ponto de vista da personagem chinesa.

C)  Alterna o ponto de vista do personagem milionário com o do narrador.

D)  Alterna o ponto de vista do personagem milionário com o da personagem chinesa.




Questão 08

Unicamp 2020

No livro A cabra vadia: novas confissões, Nelson Rodrigues inicia a crônica “Os dois namorados” com a seguinte afirmação:

“há coisas que um grã-fino só confessa num terreno baldio, à luz de archotes, e na presença apenas de uma cabra vadia.”

Na crônica “Terreno baldio” ele recorre ao mesmo animal para explicar a ideia que teve de criar “entrevistas imaginárias”:

“Não podia ser um gabinete, nem uma sala. Lembrei-me, então, do terreno baldio. Eu e o entrevistado e, no máximo, uma cabra vadia. Além do valor plástico da figura, a cabra não trai. Realmente, nunca se viu uma cabra sair por aí fazendo inconfidências.”

(Nelson Rodrigues, A cabra vadia: novas confissões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, p. 52 e160.)


O caráter confessional associado à figura da cabra nas crônicas tem relação com


a) a veracidade dos depoimentos que o cronista testemunha nas entrevistas.

b) a impostura dos contemporâneos que são objeto dos comentários do cronista.

c) a antipatia do jornalista no que diz respeito à busca de identidade dos artistas entrevistados.

d) a sinceridade dos intelectuais que são objeto das crônicas dos jornalistas.